domingo, julho 07, 2013

És a Economia, Estúpido!

Braga, exemplo multi-exemplar à sombra e a reboque de uma esquina predial
Foto de Edward Soja - 08.05.13

Ui, que tem estado um calor!
Úfia...!

Que estranho, há dias, terem decretado ("está decretado!") alerta laranja para 3 distritos do Continente.
E quais eram eles? Évora? Beja? Viseu?
Bragança? Sim, co...rrecto!!
E os outros dois?
Leiria...

Espera, Leiria?! Leiria porquê??
Sei lá!

e qual falta?

Braga!

Ah, sempre na mó de cima.
E com certeza que não é Braga todo o distrito. Por exemplo, Esposende não contribuirá muito.
Nem Barcelos.

Encaminhemo-nos para o centro do distrito. Sim, para o concelho-sede.
Como as fronteiras são arbitrárias e podem ser desconstruídas e analisadas e então percebidas - mais uma vez  - como arbitrárias, também certas intervenções e modos de "desenvolvimento" territorial produzem seus efeitos.

Mas para mais questões ide perguntar aos acólitos que temos sustentado e que têm sustentado os políticos do betão e do cimento, da construção porca, desordenada e miserável em altura, da rarefacção das árvores e dos espaços verdes dignos desse nome, da concessão aos privados e dos favores em cadeia, da trucidação e do esvaziamento do espaço público e de intervenção cívica e democrática. Na Polis.

Braga é excelente.
É bom viver em Braga, mas à medida que nos viramos para outras formas de ver o mundo e de nos apropriarmos dele, vamos verificando que não é isto que nos está a faltar.
O cidadão de Braga sofre.
Os popós de topo com vidro fechadinho no calor abrasador são o outro lado das pobres pessoas que têm de caminhar ao sol sem sombra nem clemência que alguns destinaram, por incúria, desplaneamento, cabeça-tontismo, estupidez, inépcia, corrupção, para nós, a cloaca dos seus apetites parcos em ética e respeito.

E, mal podendo, milhares (a cidade está silenciosa e deserta e alguém pode escrever o teu nome em qualquer parte, que o calor derretê-lo-á...) se desolocam em massa para a praia, tentando sobreviver.
É o comportamento animal, entendível, e, assim, facilmente previsível. E, então, controlável e provocável.

E é destas "racionalidades" comportamentais que se faz a economia da destruição.
Esperam os titeriteiros do capital que o nosso comportamento não sofra desvios. Tal como eles planearam com todo o amor e dedicação para nós.

E assim vamos, atropelando valores que (estão em planos distintos pois criámos um modelo de existir que, para permanecer, teve de ser criado à força e afastar-se do plano original) não se regem pelo mínimo denominador comum que é o lucro.

Olhai como o lucro na imagem se materializa: poupança de tempo, compactação do solo e perda do verde.

É preciso uma análise que nem é difícil, basta... ui... ter memória para termos capacidade de antecipação... e aprendermos com a história mil vezes, mal, repetida, para gáudio de alguns.
Que questione os valores pelos quais nos comportamos como nos comportamos.

E esta economia não é um deus.
Porque mesmo os deuses... és tu que os crias num momento de demissão de ti mesmo.

Tu és o que queres que a economia seja.
Certo, ela não muda toda só por tu mudares todo, mas muda o bocadinho que mudares. 
E é agora que muitas pessoas se manifestam contra a economia que ela está a mudar mais.
Não demos ainda os passos inteligentes que esta lucidez requer.
Mas estamos a recomeçar.

Deixa de ser estúpido: ou tens de mudar o caminho, ou tens (crítica mais profunda, crítica da estrutura) de mudar o destino. 
Sendo que, mudando o caminho, mudarás o destino ou o que lá irás encontrar.

Vê lá o que preferes: o paradigma da auto-estrada ou a sustentabilidade.

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